Artistas abandonam Ed Sheeran e afirmam estar "ao lado da Palestina e do seu povo"

Artistas abandonam Ed Sheeran e afirmam estar "ao lado da Palestina e do seu povo"

A banda de apoio ao cantor irlandês e várias vozes que iam fazer a abertura de dezenas de concertos desistiram de participar na digressão Loop, de Ed Sheeran. Saem em solidariedade com Macklemore que também fez a abertura de dois concertos, mas foi excluído por ter manifestado apoio à Palestina e aos palestinianos "na Faixa de Gaza e na Cisjordânia ocupada".

Cristina Santos - RTP / Adicionar como fonte informativa
Foto: Kylie Cooper - Reuters

O mais recente abandono é o de Finneas (cantor e conhecido produtor das canções de Billy Eilish, para além de irmão) que ia fazer a abertura em seis datas na América do Sul (em novembro).
Finneas retirou-se da digressão na tarde de terça-feira, horas depois de Sheeran ter publicado um longo comunicado no Instagram a explicar a situação. Nesse comunicado, Sheeran admite a pressão dos proprietários dos estádios que acolhem os concertos. 

Pressões ao mais alto nível para remover Macklemore, devido aos comentários pró-Palestina feitos durante dois concertos no estádio MetLife, em New Jersey.

No dia 4 de setembro, o artista vencedor de um Grammy proferiu, em palco, as palavras "Palestina livre". Macklemore quis que os povos de Gaza e da "Cisjordânia ocupada" soubessem que "não os esquecemos".
Durou dois minutos esta declaração, mas foi o suficiente para justificar uma petição do Conselho Israelita-Americano a exigir a exclusão de Macklemore da digressão. 

O rapper devia abrir os concertos de Ed Sheeran em oito das dez últimas atuações da digressão Loop nos EUA.

O multimilionário, dono da equipa New England Patriots, Robert Kraft, foi dos primeiros a exigir a exclusão de Macklemore. Sendo um importante apoiante e doador de Israel, não desmentiu ter recusado que Macklemore se apresentasse no Gillette Stadium, de que é dono, nos arredores de Boston. Kraft justificou a decisão com as "ações recentes" do artista e num "histórico mais amplo de retórica e imagens antissemitas que consideramos profundamente ofensivos e dolorosos para a comunidade judaica".
Na segunda vez que ainda subiu ao palco, no dia 5 de setembro, Macklemore reiterou o apoio à Palestina, mas separou as águas ao dirigir-se aos judeus do público. 

“Criticar Israel, criticar o apartheid e ser contra o genocídio não é, de forma alguma, uma crítica a vós. A minha mensagem é de paz e amor, é para que todos os seres humanos sejam tratados com dignidade, respeito e igualdade”, garantiu o rapper norte-americano.

Conhecida a exclusão de Macklmore, Ed Sheeran justificou-se. "A saída de Macklemore da digressão foi uma decisão do promotor, não minha", escreveu numa publicação de várias páginas no Instagram. "Passei esta semana a tentar construir pontes, a encontrar uma solução e, infelizmente, não consegui", concluiu.
"Sei quem sou, tanto como pessoa como artista, e aqueles que conhecem o meu coração também conhecem os meus valores."

Após esta declaração de Ed Sheeran, o cantor Finneas fez questão de abandonar a digressão. 
“Os artistas não devem ser silenciados quando se manifestam em defesa dos oprimidos”, escreveu nas redes sociais. “Decidi retirar-me das próximas datas da digressão com Ed Sheeran. Apoio a Palestina e o seu povo.”
Pouco antes, o cantor irlandês Aaron Rowe (abriu os concertos de Sheeran na Austrália no início deste ano e estava agendado para as restantes dez datas na América do Norte) anunciou a saída da digressão. 

"Não tomo esta decisão de ânimo leve", escreveu no Instagram. "Mas, como irlandeses, sabemos muito bem o que é o genocídio, a fome forçada e a ocupação violenta. Não posso ficar de braços cruzados e permitir que os multimilionários usem a sua posição de poder para silenciar as vozes legítimas daqueles que se manifestam contra o genocídio israelita e denunciam o assassinato brutal de crianças. Perderia todo o respeito por mim próprio se continuasse como se nada estivesse a acontecer."

Também a banda irlandesa Beoga, que funciona como banda de apoio de Sheeran, anunciou a saída da digressão. Um protesto contra o "silenciamento de Macklemore pelos lobbies sionistas".
"Somos uma banda tradicional irlandesa que nunca imaginou tocar em estádios desta dimensão, e temos plena consciência da importância desta oportunidade", escreveram nas redes sociais. 

"Somos amigos do Ed há mais de 10 anos e vamos continuar a sê-lo. Acreditamos no diálogo como meio de promover a causa do povo palestiniano."

Outro abandono registado na terça-feira foi o da banda pop dinamarquesa Lukas Graham.  "Devemos poder falar sobre a guerra, sobre civis que são mortos, sobre crianças que merecem crescer. Onde quer que vivam. Qualquer que seja a bandeira", escreveu o vocalista Lukas Forchhammer nas redes sociais da banda. "O dinheiro não dá o direito de controlar a discussão. O saldo bancário de alguém não deve decidir quem pode falar ou qual o sofrimento que nos é permitido reconhecer."
Na segunda-feira, Macklemore confirmou que Ed Sheeran e a equipa tinham decidido retirá-lo da digressão. "Falei ao Ed várias vezes ao telefone, a nossa amizade não pode mudar a minha responsabilidade de dizer a verdade sobre o que aconteceu", garantiu o rapper norte-americano.
No entanto, sublinhou que nem ele, nem Sheeran são as vítimas. "Temos carreiras, dinheiro, oportunidades, segurança e públicos em todo o mundo", escreveu no Instagram. 

"As vítimas são o povo palestiniano. Os homens, mulheres e crianças que foram mortos, passaram fome, foram deslocados e forçados a viver no meio de uma violência inimaginável", acrescentou.
PUB